Um pequeno estúdio a trabalhar em cortiça e cimento.
A Suberea faz objetos a partir de dois materiais que partilham um lugar mas raramente um recipiente. Cada peça é moldada, selada, assinada. As edições mantêm-se pequenas. Não há armazém, não há stock. Cada objeto é feito quando encomendado.
01O Estúdio
Trabalhamos em Almada, na margem sul do Tejo, em frente a Lisboa. O estúdio é pequeno. A bancada é de madeira. Os moldes são feitos na casa, as misturas medidas à mão, cada peça assinada antes de sair.
Almada é um lugar de trabalho desde os Fenícios queimarem barro aqui para comércio com o Mediterrâneo. Fazemos parte dessa longa e silenciosa linhagem — materiais diferentes, o mesmo ofício.
02A Prática
Cada peça começa como um desenho, depois um modelo em barro, depois um molde. A cortiça-cimento é misturada em pequenas quantidades, vazada à mão, curada lentamente. A cortiça sobe naturalmente à superfície enquanto a matriz mineral assenta — a textura visível é o material a organizar-se a si próprio, não um acabamento aplicado.
Trabalhamos em edições — pequenas séries numeradas, vinte ou trinta peças. Quando uma edição encerra, encerra. Cada peça leva o seu número e o seu lugar na série, assinada e datada.
03O Material
A cortiça vem do Montijo, do outro lado do estuário. O cimento, de um fornecedor local. A receita guarda-se dentro do estúdio — um ligante mineral, dois calibres de granulado, uma pequena percentagem de fibra e látex para resistência. O resultado é mais pesado do que a cortiça, mais leve do que o cimento, e não se comporta como nenhum dos dois.
Cada objeto é selado para uso com plantas, com água, com pequenas chamas. O interior é tratado; o exterior é deixado honesto.